Mostre para a turma que as meninas podem ser o que elas quiserem

Mostre para a turma que as meninas podem ser o que elas quiserem

Falar do Dia Internacional da Mulher é importante, mas esse trabalho precisa ser feito o ano todo.

Antes de você de ler criticando entenda uma coisa: Acima de tudo acredito muito em equilíbrio e respeito! Todas as pessoas devem ser respeitadas e acreditarem que são capazes de fazer qualquer coisa. Independente do seu gênero, cor ou raça. O Dia Internacional da Mulher surgiu como manifestação de alguns direitos, muitos deles ainda precisam ser conquistado! Principalmente em sala de aula onde ainda nos deparamos com crianças que não respeitam as diferenças.

O site Nova Escola fez uma matéria incrível e por isso decidi compartilhar com você.  Segue a matéria de Nairim Bernardo.

Situações de machismo podem ocorrer durante as aulas de qualquer disciplina e em qualquer situação escolar. Falas ou atitudes que podem parecer uma simples brincadeira para alguns, na verdade são gestos que ofendem e desestimulam uma aluna, além de darem aos garotos a ideia de superioridade. Portanto, uma dica é conversar com as colegas e alunas para saber se aquela piada está sendo ofensiva.

Um foco de atenção especial é a aula de Educação Física. O problema é conhecido: meninos são incentivados e meninas, não. Ainda hoje, há quem ache normal os garotos terem todo o tempo da Educação Física ou do recreio para jogar, enquanto elas ficam em um cantinho da quadra ou nem participam da aula. E, quando o fazem, muitas vezes não são incentivadas a jogar futebol, tendo de ficar apenas com vôlei ou handebol, como se existisse uma divisão entre “esportes de meninos” e “esportes de meninas”. Portanto, deixe essas ideias no passado e estimule crianças de ambos os sexos a praticar todos os esportes.

Nas áreas de exatas, as notícias também não são muito animadoras. Segundo dados do Censo Escolar de Educação Superior de 2013, as mulheres representam 77% do total de matrículas nos cursos das áreas de Saúde e bem-estar social, 73% nos de Educação, mas somente 32% nos da área de Engenharia, Produção e Construção e 31% dos das áreas de Ciências, Matemática e Computação.

Segundo Jane Reolo, blogueira de tecnologia de NOVA ESCOLA, os professores precisam trabalhar os motivos históricos e sociais disso. “As áreas de exatas são cruciais para o desenvolvimento das civilizações. Sendo assim, tecnologia passou a significar poder. Esse poder acabou centralizado no homem, branco e europeu”, comenta. “Dessa forma, as mulheres e principalmente as mulheres negras não se encaixavam como figuras detentoras desse conhecimento. Por isso, elas acabam indo para outras profissões.”

Para desconstruir essas ideias é preciso questionar privilégios. Por meio de uma abordagem histórica do que era permitido para homens e mulheres durante diversas épocas, fica claro o motivo de aparecerem poucas cientistas nos livros. “Os graus de conhecimento que alguém tem de um objeto é equivalente à manipulação que ele faz desse objeto”, explica Jane. “Então, se as mulheres eram impedidas de trabalhar com a tecnologia durante a história, é óbvio que elas não terão um grau de conhecimento e de desenvolvimento de tecnologia igual ao dos homens”.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo é uma referência na formação de engenheiros e tem uma divisão por gênero ainda mais acentuada que a média nacional: 82% dos estudantes são homens e 59% pertencem à classe segundo pesquisa Datafolha de 2016. Mas esses números ficam ainda mais impactantes quando se vê que apenas sete mulheres negras se formaram nos 121 da faculdade, de acordo com o Grupo de Estudos de Gênero da Escola Politécnica (Poligen).

É nesse contexto que Larissa Mendes, jovem negra e do Capão Redondo (bairro da periferia de São Paulo), se insere como uma das poucas pessoas negras na escola. Ela não se lembra de questões étnico-raciais ou de valorização da mulher serem abordadas durante sua vida escolar e considera que falta incentivo por parte de professores e familiares. “Todo mundo incentiva muito mais os meninos a seguirem carreiras de exatas. As pessoas precisam chegar nas meninas e falar ‘Sabia que você podia fazer engenharia?’”, diz ela.

Além da felicidade por ter ingressado em sua faculdade dos sonhos, Larissa também fica muito feliz por ser um exemplo para outras mulheres. “Muitas pessoas entram em contato comigo falando que estavam pensando em desistir de ingressar em uma faculdade de engenharia, mas, ao saberem da minha história, resolveram continuar tentando. É importante as pessoas verem que, se outras como elas conseguiram, elas também podem.”

Isso deve ser trabalhado desde a Educação Infantil. Um exemplo disso vem do Bom Retiro, bairro central de São Paulo conhecido pelas lojas de roupas baratas fabricadas por trabalhadores imigrantes. A EMEI Prof. Alceu Maynard de Araújo tem muitos alunos africanos e de países da América do Sul, como Bolívia e Peru. Faz parte do projeto da instituição apresentar figuras femininas e abordar a importância das mulheres em diversas áreas, como ciências, cultura e política.

Além de questões relacionadas à valorização da mulher, no mesmo projeto também são abordadas outras formas de representatividade. Pensando nas características da comunidade escolar, um ponto de atenção é procurar trazer biografias de mulheres com características culturais e físicas em comum com as crianças.

Esse é mais um daqueles reflexivos para pensarmos que devemos incentivar qualquer criança a acreditar que ela pode!

E para incentivar as meninas e mostrar o quanto elas podem  fica a dica de dois livros: Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes  e 50 brasileiras incríveis para conhecer antes de crescer.

Comentários

Professora de Educação Infantil e Criadora da Professora Coruja.
“Acredito que a Educação é um esforço colaborativo.”

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