7 perguntas e respostas sobre autismo

7 perguntas e respostas sobre autismo

Com qual idade é possível diagnosticar se uma criança é autista? Como os professores podem garantir o acolhimento na sala de aula?

Eu adoro as matérias do site Nova Escola (e que professor não ama não é?!) Encontrei uma publicação que me chamou muito atenção e decidi compartilhar com você! Confira o texto de Soraia Yoshida.

autismo – ou Transtornos do Espectro Autista (TEA) – refere-se a uma série de transtornos que caracterizados por desafios em habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não verbal, assim como características únicas e diferentes. Não existe um autismo único autismo e sim vários tipos, causados por diferentes combinações genéticas.

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Aproximadamente 1 em cada 160 crianças em todo o mundo possui algum transtorno do espectro autista, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde. Uma criança autista apresenta dificuldades no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, interação e comportamento social. Mas estudos já mostraram que programas de treinamento e educação podem reduzir essas dificuldades.

Não há testes de sangue ou genéticos que possam determinar se uma criança é autista. O diagnóstico é baseado no comportamento.

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O processo de identificar uma criança autista assemelha-se a identificar uma deficiência de aprendizado. O professor precisa olhar para as habilidades sociais da criança e ver se elas ficam aquém do seu potencial. Não existe uma maneira simples de conferir se uma criança demonstra comportamento social apropriado para sua idade, da mesma maneira que as habilidades de leitura e escrita.

Tal como qualquer pessoa, quem é diagnosticado com TEA tem pleno direito à educação em escolas regulares, sejam públicas ou particulares. Estar na sala de aula comum permite à pessoa diagnosticada com TEA socializar e aprender com pessoas diferentes. Por lei, toda criança tem o direito de conviver em sociedade e aprender em um ambiente heterogêneo – o que é positivo para o desenvolvimento humano.

Para tentar diminuir os estigmas que ainda pesam sobre o autismo, NOVA ESCOLA levou uma série de dúvidas básicas, mas que ainda geram dúvida, a Liliane Garcez, gerente de programas do Instituto Rodrigo Mendes (IRM).

Com qual idade geralmente é possível diagnosticar se a criança possui TEA? No caso de Asperger, valem as mesmas recomendações?
Não há consenso quanto a isso. Ao contrário, trata-se de uma questão bastante polêmica. Se, por um lado, há quem defenda o diagnóstico precoce, por outro, uma parte significativa de especialistas afirma que é preciso considerar que nos anos iniciais estamos em pleno desenvolvimento e um diagnóstico equivocado pode gerar sérios prejuízos. O diagnóstico de TEA é o que chamamos de diferencial, que é um método sistemático usado para identificar doenças realizado, essencialmente, por processo de eliminação. Envolve a somatória de algumas características e a exclusão de outras, ou seja, características que podem indicar que uma criança tem um transtorno do espectro autista podem não estar presentes em outra com o mesmo diagnóstico. Após o lançamento do DSM V, o transtorno de Asperger passou a ser considerado dentro da designação geral, ou seja, ele está contemplado no transtorno do espectro autista. O importante é compreender que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão estabelecem que os processos de Habilitação e Reabilitação devem começar “no estágio mais precoce possível e sejam baseados em avaliação multidisciplinar das necessidades e pontos fortes de cada pessoa”. Estabelecem ainda que a atenção integral à saúde das pessoas com TEA deve “envolver diagnóstico diferencial, estimulação precoce, habilitação, reabilitação e outros procedimentos definidos pelo projeto terapêutico singular”. Ou seja, a avaliação deve considerar os aspectos biopsicossociais, assegurando que o direito ao diagnóstico precoce seja contemplado de maneira mais abrangente.

Na escola, os professores devem ficar atentos a quais comportamentos?
Esforços, por parte da escola, no sentido de buscar o diagnóstico quando há hipótese de TEA são legítimos, principalmente para assegurar direitos. Entretanto, por vezes o que faz a escola buscar um laudo é a expectativa ilusória de que ele irá trazer respostas sobre como trabalhar com aquele aluno em sala de aula. Como cada criança é única, as barreiras que impedem seu acesso pleno ao currículo também são peculiares. Nesse sentido, ainda que apresentem pareceres diagnósticos semelhantes, duas pessoas podem reagir às mesmas intervenções de maneiras bem diferentes. Duas pessoas podem ter características comuns, mas são diferentes uma da outra. Quando o laudo médico é interpretado como um atestado de incapacidade, a escola pode deixar de apostar nas potencialidades do estudante, o que se torna uma barreira atitudinal ao processo de escolarização. Buscar um diagnóstico ou apoiar a família nesse processo é uma ação que faz parte das responsabilidades de uma escola que protege. Porém, ele não pode ser fator de segregação escolar e sim compor as características da criança e da turma a serem consideradas no planejamento de estratégias pedagógicas para todos e cada um dos estudantes.

Toda criança com um interesse específico por um assunto pode ser diagnosticada com TEA?
Não. Trata-se de um mito. Nem todas as crianças com TEA apresentam necessariamente o que se convenciona chamar de “interesse focal” e nem todas as crianças com um interesse específico têm esse diagnóstico médico. De fato, crianças costumam demonstrar maior interesse por algo. Identificar tais interesses é fundamental para engajá-las no processo de aprendizagem que justamente tem como um de seus objetivos ampliar repertórios e agregar conhecimentos novos. Esse é um dos papéis da educação.

Como o diretor da escola pode garantir a inclusão de alunos com autismo?
Em primeiro lugar, buscando estabelecer espaços de diálogo que, independentemente do formato, viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos – professores da sala de aula comum, professores do atendimento educacional especializado, coordenador pedagógico, diretor, auxiliares de limpeza, merendeiros, ou seja, toda a comunidade escolar. A discussão coletiva das estratégias para alcançar os objetivos de aprendizagem e a união de esforços neste sentido tem se revelado como um caminho profícuo na busca pela garantia da inclusão destes e de outros alunos. A formação em serviço, que é uma das atribuições da gestão escolar, é uma ferramenta muito potente para fortalecer esse movimento. É importante também que o diretor, juntamente com os demais educadores, garanta a participação das famílias e dos estudantes.

E o professor em sala de aula?
Não há “receitas prontas”, mas, sim, dicas importantes para que a aprendizagem se torne possível e muito mais significativa para os estudantes. A primeira é chave para as demais: o ponto de partida é sempre o próprio aluno. Desenvolver práticas pedagógicas a partir do próprio aluno significa buscar identificar seus interesses e necessidades a fim de flexibilizar o currículo e diversificar as estratégias. E não há como o professor fazer isso sozinho. E nesse ponto temos a segunda dica: é preciso desenvolver uma dinâmica de trabalho colaborativo, que envolva diretamente outros profissionais da escola, professores do atendimento educacional especializado, coordenador pedagógico, diretor, auxiliares de limpeza, merendeiros, ou seja, toda a comunidade escolar. Vale ressaltar a potencial relevância do profissional do atendimento educacional especializado (AEE) nesse processo, principalmente na identificação das barreiras que atrapalham ou impedem a aprendizagem e dos meios e modos de acesso ao currículo para apoiar o professor em sala de aula. Novamente, a “aposta” e altas expectativas no processo de ensino-aprendizagem impulsionam o desenvolvimento de cada um dos alunos, com ou sem TEA.

Como deve ser a conversa com os pais?
Não há uma periodicidade ou formato padrão neste sentido. Mas é necessário garantir espaços de escuta e diálogo que viabilizem o estabelecimento de uma parceria efetiva entre a família e a escola, baseada em uma relação de cooperação e apoio mútuo. Toda escola estabelece regras para esse diálogo. E elas devem ser o guia para alunos com ou sem TEA.

Quais as recomendações para os pais que enfrentam dificuldade para matricular os filhos?
Nenhuma escola pode recusar a matrícula de qualquer estudante com base em seu diagnóstico médico. Até mesmo dificultar seu acesso representa crime. O direito de frequentar a escola e participar plenamente de todos os aspectos da vida escolar é assegurado em todas as leis brasileiras. Especificamente, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) determina que o acesso de crianças e adolescentes com deficiência à educação não pode mais ser negado, sob qualquer argumento, tanto na rede pública quanto na rede particular. Além disso, a lei proíbe a cobrança de qualquer valor adicional nas mensalidades e anuidades que tenha como justificativa a deficiência ou o TEA.

Assim, a escola mais indicada para qualquer aluno é a mais próxima de sua residência. No caso da rede privada, é aquela que a família escolhe como de sua confiança. Quando os pais enfrentam dificuldade para matricularem seus filhos na escola, é recomendável, em primeiro lugar, estabelecer diálogo. Se, no entanto, essas tentativas forem esgotadas, uma alternativa é contatar a Secretaria de Educação do município e, oportunamente, o Ministério Público, exigindo os direitos do estudante. Lembrando que o direito a uma educação inclusiva não se restringe a matrícula e presença; compreende também o desenvolvimento de suas potencialidades para a plena participação em igualdade de condições com seus pares.

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